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2026/03/10

Centenas de empresas em risco

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Guerras aumentam incerteza no setor têxtil devido aos custos da energia e a ACIB alerta para impacto muito negativo de acordo EU-India na indústria têxtil Aumenta a incerteza no comércio global A ACIB-Câmara de Comércio e Indústria lamenta que até à data se tenha ignorado o impacto negativo que se estima incidirá sobre o setor têxtil da região Cávado-Ave devido ao acordo EU-India e à agravante da nova guerra com o Irão e o seu impacto nos custos da energia e no consumo nos principais mercados de exportação. Uma região que exporta 2700 milhões de euros, sendo cerca de 75,5% para o mercado da União Europeia (U.E), tem a sua indústria têxtil fortemente dependente da U.E, pelo que tudo o que acontece neste espaço económico influencia o seu futuro. No acordo EU-India a indústria têxtil foi sem dúvida sacrificada como moeda de troca por outros setores que mais interessam, como o ramo do setor automóvel que é do interesse de vários países detentores de marcas. A queda das taxas alfandegárias e a simplificação administrativa potenciará a entrada de produtos têxteis e do vestuário provenientes da India para o mercado da U.E prejudicando fortemente a indústria portuguesa. Dado que as barreiras no setor têxtil caem logo no início, o impacto far-se-á sentir de imediato. As tarifas caem diretamente para 0% quando o acordo entrar em vigor. Destaque para a afirmação "O acordo entre a União Europeia e a India já está a ser considerado em negócios internacionais. Marcas como a Zara, IKEA, OVS, JYSK, Aldi ou C&A, deverão aumentar significativamente o aprovisionamento na Índia após a celebração do acordo." Quem o diz é Vijay Aggarwal, presidente do Cotton Textile Export Promotion Council (TEXPROCIL), citado pela Apparel Resources. Este crescimento das exportações provenientes da India numa estimativa de 25% ao ano, vai impactar diretamente na indústria da nossa região, muito especialmente no setor vestuário de malha. Com o concelho de Barcelos a depender em 70% das suas exportações do setor têxtil e em concreto do vestuário de malha e considerando que depende em muito das compras da Inditex (Zara), a preocupação é muito grande, acontecendo o mesmo noutros concelhos da região. A Inditex tem, ainda, um forte impacto na taxa de ocupação da capacidade industrial da região no setor têxtil. A ACIB – Câmara de Comercio e Indústria tem insistido de forma recorrente junto dos diferentes níveis de autoridades sobre a necessidade de um plano de ação concreto para a região e para o setor têxtil/vestuário em concreto. A perda de grandes encomendas em volume continuará agravando-se prejudicando centenas de pequenas fábricas subcontratadas ao longo de toda a região. O aumento da concorrência com os produtos baratos da India terá impacto negativo nas margens das empresas produtoras em Portugal e consequentemente na sua capacidade de investimento, inovação e modernização e vai levar a mais deslocalização da produção para Marrocos através do efeito dos custos do trabalho e energia. Destaca-se que o setor vive neste momento uma significativa redução das encomendas e que a par disso tem enfrentado nos últimos anos ciclos constantes de subidas e descidas acentuadas, criando no setor um total desconforto e preocupação, desmotivando muitos dos intervenientes. Conforme referido em vários documentes técnicos da U.E serão as empresas de menor dimensão (micro e pequenas empresas) as mais afetadas pelo acordo U.E-India. Por isso não se deve ignorar os números deste setor em Portugal onde 81,7% das empresas são Micro e 14,1% são pequenas empresas, números que devem levar à reflexão, e a um plano estruturado de apoio e dinamização do setor incluindo ações ao nível local, conforme a ACIB-CCI tem vindo a propor. O agravamento dos custos de energia decorrentes da guerra no Irão vai agravar os problemas do setor dado que a fatura energética tem um peso significativo nos custos totais. O aumento dos custos da energia tem impacto direto através da redução das margens das empresas, na perda de competitividade face à ASIA, India, Turquia, na redução da produção e no aumento dos preços na produção de vestuário que poderão rondar mais 10%.
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